1999 — HIPC reforçada; surgem os PRSP; Stiglitz critica abertamente o FMI
Condicionalidade política: democracia, direitos humanos e boa governança como pré-requisitos
Fluxos privados (IDE) superam APD pela 1ª vez; questionamento da relevância da ajuda pública
SWAp: coordenação de doadores por setor, com liderança do governo receptor
PRSP: países definem seus próprios planos de redução da pobreza
HIPC como mecanismo multilateral de alívio da dívida
Crescimento das OSC como interlocutores e implementadores da ajuda
Ajuda humanitária em expansão (Ruanda, Bósnia, Kosovo, Timor)
Cansaço da ajuda (aid fatigue): eficácia questionada por doadores e opinião pública
Meta 0,7% RNB nunca atingida pela maioria; APD cai em termos absolutos e relativos
PRSP criticados como PAE com nova embalagem: conteúdo e condicionalidade semelhantes
2000–2005Eficácia e Parceria
ODM, ownership, parceria e harmonização
Consenso de Monterrey; Declaração de Roma; Pós-11/Set
2000 — Cúpula do Milénio: aprovação dos ODM (8 metas, prazo 2015)
2001 — Atentados de 11 de Setembro: segurança entra na agenda da cooperação
2002 — Conferência de Monterrey: "Consenso de Monterrey" sobre financiamento do desenvolvimento
2003 — Declaração de Roma sobre Harmonização: doadores coordenam procedimentos
ODM como quadro de referência único: metas quantificáveis e prazo definido
Ownership: países receptores devem liderar seus próprios processos
Distribuição por desempenho: ajuda vai para países com "boas políticas"
Ambiguidade pós-11/Set: APD cresce, mas parte vai para objetivos de segurança
Apoio Orçamental Geral: financiamento direto ao orçamento do Estado receptor
SWAp consolidado como instrumento preferido
Ano Internacional do Microcrédito (2005)
Ajuda humanitária: ~10% da APD desde 1999
Desfasamento entre retórica e prática: compromissos de Monterrey raramente cumpridos
Instrumentalização pós-11/Set: APD desviada para objetivos securitários
Ownership formal mas condicionalidade de facto persiste: "quem paga decide"
Conceito de APD inflacionado: custos administrativos, perdão de dívida e refugiados internos contam como ajuda
2005–2015Novos Atores e Eficácia Plena
Eficácia da cooperação: alinhamento, harmonização e responsabilidade mútua
OCDE/CAD; GPEDC; Cooperação Sul-Sul
2005 — Declaração de Paris: cinco princípios de eficácia (ownership, alinhamento, harmonização, gestão por resultados, responsabilidade mútua)
2008 — Agenda de Acra: aprofunda Paris e amplia voz dos países receptores; coincide com a crise financeira global (falência do Lehman Brothers)
2011 — Parceria de Busan: transição de eficácia da ajuda para eficácia do desenvolvimento; criação da GPEDC
2013 — 1ª Reunião de Alto Nível da GPEDC (Cidade do México): monitoramento dos compromissos de Busan
Ownership como princípio operacional com indicadores mensuráveis, não apenas retórico
Cooperação Sul-Sul (CSS) e triangular ganham reconhecimento formal na arquitetura internacional
Novos doadores emergentes (Brasil, China, Índia, África do Sul) desafiam o monopólio do CAD/OCDE
IDE e remessas superam a APD na maioria dos países em desenvolvimento
GPEDC (2011): plataforma multiator com doadores tradicionais, emergentes, sociedade civil e setor privado
IATI (Iniciativa de Transparência Internacional da Ajuda, 2008): padrão aberto para publicação de dados de APD
CSS como instrumento de soft power dos emergentes (Ayllón Pino, 2011)
Blended finance: combinação de fundos públicos e privados para mobilizar investimento
Apenas 1 dos 13 indicadores de Paris atingiu a meta estipulada para 2010 (OCDE, 2011)
CSS invocada como horizontal e não-condicional, mas instrumentalizada pela política exterior dos doadores emergentes (Ayllón Pino, 2011)
Tensão entre aid effectiveness e development effectiveness: quem define os critérios de sucesso?
BRICS e outros emergentes participam da GPEDC sem aderir plenamente às normas do CAD
2015–2030Agenda 2030
Desenvolvimento sustentável universal: 17 ODS como quadro integrado e indivisível
ONU (Resolução 70/1); ODS 17 como eixo de parcerias e meios de implementação
2015 — Agenda 2030: aprovação pelos 193 Estados-membros da ONU dos 17 ODS e 169 metas, com prazo até 2030 (ONU, 2015)
2015 — Agenda de Ação de Adis Abeba: arquitetura de financiamento para o desenvolvimento sustentável
2015 — Acordo de Paris sobre mudanças climáticas: vincula cooperação ambiental à agenda de desenvolvimento (ODS 13)
2020 — Pandemia de COVID-19: aprofunda retrocessos nos ODS 2, 3, 8 e 16; agrava assimetrias Norte-Sul
Universalidade: os 17 ODS aplicam-se a todos os países, superando a dicotomia doador-receptor
Indivisibilidade: ODS concebidos como interdependentes — avanços em um podem implicar retrocesso em outros
Beyond aid: cooperação abrange APD, IDE, remessas, tributação internacional e financiamento climático
ODS 17 como eixo: parcerias multi-ator como condição de implementação dos demais objetivos
Relatório de Desenvolvimento Sustentável (SDG TC): monitoramento anual dos indicadores desde 2015
Revisões Nacionais Voluntárias (VNR): prestação de contas ao Fórum Político de Alto Nível (HLPF/ONU)
GPEDC alinhada à Agenda 2030 após 2015; monitoramento via indicador ODS 17.16
CSS e cooperação triangular como mecanismos centrais para países do Sul Global
Nenhum país da OCDE apresentou correlações exclusivamente positivas entre os ODS no período 2000–2023 (Pereira; D'Agostini; Alonso, 2026)
ODS 2 (fome zero), 8 (trabalho) e 16 (paz e justiça) concentram os maiores retrocessos nos países da OCDE (Pereira; D'Agostini; Alonso, 2026)
Prazo 2030 insuficiente para países em desenvolvimento; heterogeneidade inviabiliza soluções uniformes
ODS 9 (industrialização) foi o principal avanço em 42 dos 49 países analisados, enquanto ODS 6 (saneamento) registrou os maiores retrocessos absolutos (Pereira; D'Agostini; Alonso, 2026)
Material de Aula produzido por Larissa Diniz Aguiar